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A nutricionista Mariana do Valle faz um estudo das pancs no circuito carioca de feiras orgânicas

Sabe qual a diferença entre um monte de mato e um prato de salada? O hábito. O fato é que algumas plantas se incorporaram à nossa alimentação, enquanto outras ficaram relegadas.

Parte disso se explica através da colonização europeia, que incorporou seus hábitos, sem levar muito em conta os alimentos que havia por aqui. Desperdiçando mais de 30 mil variedades de sabores e nutrientes de importantíssimos para nossa saúde. Conscientes disso, cada vez mais pessoas, articuladas através da internet, estão resgatando esses importantes alimentos brasileiros, até então relegados. Antes tarde do que nunca, as chamadas PANCs, sigla para plantas alimentícias não convencionais, já começam a se incorporar à alimentação.

Inserir as pancs na alimentação requer pesquisas. Os livros ainda são poucos e a internet é a melhor opção para conhecer essas plantas. Hoje, existem sites, grupos, cursos on-line, entre muitos outros recursos para se ter acesso à informação necessária sobre esse assunto, explica a chef nutricionista Mariana do Valle, de 32 anos, que pesquisa as pancs no circuito carioca de feiras orgânicas.

“Desenvolvemos um tipo de medo pelas coisas desconhecidas da natureza. Se não for algo tradicional, como alface, a maioria das pessoas logo rejeita. Por isso deixamos de lado o almeirão, o radíquio, o caruru, a beldroega, entre outras muitas coisas que a gente pode comer e não sabe. Poderíamos, inclusive, ter uma nutrição melhor se essas plantas fizessem parte da alimentação. A bertalha coração, por exemplo, tem muito mais ferro e cálcio do que o espinafre”, destaca Mariana.    

O que falta é a oportunidade para experimentar. A gente se acostumou a comer as mesmas coisas, mas existem nessas plantas não convencionais pelo menos 30 mil sabores que nosso paladar não conhece, afirma a nutricionista.

“Além disso, são plantas muito resilientes, fortes, que não precisam de um cuidado específico. Dispensam adubo, basta plantar. Mas tão importante quanto a identificação é a procedência, ou seja, o local que ela é plantada. Não adianta achar um caruru na rua e achar que pode comer. A gente não sabe a quantidade de poluentes que aquela planta tem, se receberam água de esgoto. O melhor é recolher as mudas ou sementes, para plantar em casa”, ensina a chef.

Além da questão cultural, hoje, para atender à gigantesca demanda da indústria alimentícia, a produção de alimentos foi buscando se tornar cada vez mais simplificada, química e industrial, distante da origem orgânica, mais complexa e menos diversificada. 

“Se alimentação boa é uma alimentação diversa, as pancs atendem perfeitamente a essa premissa. O problema é que estamos acostumados com alimentos ultraprocessados. É preciso trazer para a mesa essa riqueza de nutrientes, como boro, manganês, cobalto, zinco, entre outros nutrientes essenciais para nosso corpo que são inexistentes em óleos ultrarrefinados e farinhas ultraprocessadas”, ressalta o biólogo Valdely Kinupp, autor do livro Plantas alimentícias não convencionais (panc) no Brasil, pela editora Plantarum.

As pancs são turismo na Fazenda Aliança Agroecológica, que oferece até flores no cardápio

Além dos benefícios para saúde, as pancs, segundo Valdely, são um nicho de mercado, principalmente para a agricultura orgânica, pois não demandam do uso excessivo de agrotóxico e permitem o cultivo em propriedades tidas como improdutivas pela agricultura tradicional.

“Está na hora de termos políticas públicas sérias, duradouras e a longo prazo com ensino, pesquisa e empreendedorismo de gastrônomos, chefs e também das indústrias de alimentos, para que se possa incorporar essas plantas inusitadas na alimentação brasileira”, defende o autor.

Niterói – O laboratório de botânica econômica e etnobotânica (Labotee), da UFF, possui desde 2015 o projeto de extensão denominado “Conhecendo outras Plantas Alimentícias – PANCs UFF”, que busca promover atividades teóricas e práticas dentro e fora da universidade sobre o assunto, como explica Odara Boscolo, doutora em etnobotânica professora do curso de biologia da universidade.

“Este programa tem uma adesão grande dos alunos e ao longo do ano também somos muito procurados pelo público em geral, escolas e comunidades, que querem conhecer mais sobre o assunto. A pancs já podem até ser uma fonte de renda para muitas pessoas, pois são facilmente encontradas em ruas e terrenos baldios, mas possuem um valor nutricional maior que as plantas vendidas nos mercados e porque quebram a monotonia alimentar”, ressalta Boscolo.

Turismo

No interior do estado, mais precisamente em Barra do Piraí, a Fazenda Alliança Agroecológica, construída no século XIX e que se propõe ser um local que une história e práticas sustentáveis, identificou nas pancs mais um atrativo que vai ao encontro de sua proposta.

“Começamos a observar as plantas que nasciam espontaneamente entre os canteiros. Pesquisamos e descobrimos que são mais uma opção de alimento, muito ricas em vitaminas e minerais. Algumas delas já eram conhecidas por nós, como o caruru, serralha, picão, verdolaga, que eram bastante consumidas por nossos avós. Outras fomos descobrindo, como a tiririca, capoeraba, miolo do tronco do mamão, zebrinha, entre outras. Também qualifiquei os funcionários da horta na arte de identificar e utilizar a pancs”, explica a arquiteta Josefina Durini, que administra o local.

Entre as possibilidades de visitação do local, é oferecida o “colha e pague”. Os visitantes também podem ter uma refeição 100% orgânica, com itens produzidos na própria fazenda, incluindo as pancs.

“Temos taioba, orapronobis, usada para tortas, pães e bolos; o picão, que pode ser usado para refogados e quiches; a bertalha, para salada, refogados e tortilha; o acará, que é um tubérculo cuja folha pode ser usada na salada; a azedinha, para saladas; a serralha, refogada; o peixinho, que pode ser servido à milanesa; a tiririca e o umbigo da banana. Temos também várias flores comestíveis, que enfeitam e dão sabor aos pratos. Entre elas, o suspiro, mostarda, capuchinha, plumeria, flamboyant e o almeirão”, conclui a empresária. 

Fonte: http://www.ofluminense.com.br

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