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Acesso à realidade da nação

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Documentário foi ovacionado no Festival de Berlim, ganhou como Melhor longa-metragem internacional no Festival Documenta Madri, além de outros dois em Lisboa e um na Suíça

Quem já assistiu algum filme da cineasta e documentarista Maria Augusta Ramos teve a oportunidade de entrar em contato com registros sinceros da realidade brasileira e com uma contundência peculiar que só é possível extrair

do cinema direto. Em sua filmografia já abordou aspectos do universo jurídico, que vão desde o caminho percorrido por menores infratores cariocas até o cotidiano em um tribunal de justiça.

Agora, em “O Processo”, ela leva aos cinemas seu olhar sobre o impeachment da presidente Dilma, acontecimento que marcou a história política e social do Brasil e que, negativa ou positivamente, ainda reflete nos debates e na memória social. Em Niterói, a pré-estreia acontece nesta terça (15), às 19h, no Cine Arte UFF, com uma sessão seguida de debate, que vai contar com a presença do crítico de cinema Carlos Alberto Mattos e o professor de Cinema da UFF Cezar Migliorin.

O longa expõe os bastidores do processo contextualizado em um período de extrema crise política, que se arrastava desde 2013. A diretora explica que as filmagens se deram da mesma maneira que os filmes anteriores, com o diferencial: o renome de seu trabalho. O mesmo a conferiu o respeito necessário para os órgãos oficiais lhe darem o acesso irrestrito aos ambientes e momentos decisivos dos trâmites do processo.

Documentário foi ovacionado no Festival de Berlim, ganhou como Melhor longa-metragem internacional no Festival Documenta Madri, além de outros dois em Lisboa e um na Suíça

“Nos meus filmes eu peço acesso. Me aproximo das pessoas e proponho filmá-las. Explico a proposta do meu cinema para as pessoas confiarem em mim. É preciso essa confiança mútua para que eu tenha acesso a intimidade delas. No caso do processo de impeachment, fui até alguns parlamentares, advogados de defesa, senadores e assessores, que me permitiram acessar os bastidores do caso”, conta Maria Augusta.

Segundo a diretora, o objetivo dos seus filmes é gerar uma reflexão sobre uma realidade específica que deseja retratar. Na escolha do tema, não se restringe a um padrão. Os motivos vão desde personagens; momentos históricos ou processos – como no caso do “Justiça”, em que o objeto é o processo jurídico –; e instituições que a instigam, angustiam, ou que a inspiram a querer entender melhor a estrutura e seus meandros.

“O filme é o produto de uma descoberta de um processo cinematográfico, envolvendo pessoas, acontecimentos, fatos, relações e interações humanas que se desenrolam durante as filmagens. Antes de filmar, tenho algum conhecimento, mas não tenho uma ‘bola de cristal’. Nunca sei o que vai acontecer. As coisas acontecem e minha equipe e eu precisamos estar prontos para conseguir filmar da melhor maneira possível. Finalmente, o objetivo é que eu consiga abarcar, através desse retrato, a realidade na sua complexidade, na sua multidimensionalidade, para que o público possa rever conceitos, rever valores, rever opiniões”, expressa.

Carlos Alberto Mattos foi um dos primeiros críticos a assistir e escrever sobre “O Processo”. Antes mesmo do filme ir para o Festival de Berlim – onde foi ovacionado e conquistou o terceiro lugar entre os escolhidos pelo público na Mostra Panorama –, já tinha publicado um artigo em seu blog e no Carta Maior, portal dedicado ao pensamento de esquerda. Considerando seu engajamento com o trabalho da diretora e sua especialização em análises de documentários, o Cine Arte UFF o escolheu como debatedor.

“Eu acho que ‘O Processo’ completa uma espécie de trilogia com ‘Justiça’ e ‘Juízo’, que são filmes sobre o sistema judicial em ação, filmes que observam processos jurídicos em andamento. No caso do filme que será debatido, é um processo de maior amplitude política. O salto que ela dá entre aqueles dois filmes e esse, não é só de qualidade cinematográfica – porque, na minha opinião, é o melhor que ela já fez até agora –, é também sobre a importância do que se revela, porque foi montada uma narrativa que nos faz compreender melhor o que aconteceu. Através do filme, fica mais claro entender que o que aconteceu foi um golpe parlamentar, jurídico e midiático. Pela consagração que ‘O Processo’ tem recebido, torna-se um filme-evento do cinema brasileiro deste ano”, declara o crítico.

Parafraseando Carlos, “o filme foi um trabalho monstruoso”, com 450 horas de material rodado que se condensou em apenas 137 minutos, compostos de personagens e momentos clinicamente escolhidos pela equipe e editados por Karen Akerman, que já trabalhou com Maria em outras obras.

“O Processo” – diferente de ‘Juízo’ e ‘Justiça’ – acontece em vários situações, gabinetes, ambientes e corredores. Isso exige uma capacidade de estar presente nas horas certas e reveladoras, que é o grande salto em termos de qualidade técnica e capacidade de documentar. O processo está em espaços diversos, em situações imprevisíveis. Acompanhar essa crise é muito mais desafiador do que colocar a câmera dentro de uma sala e filmar”, conclui Carlos.

O Cine Arte UFF fica na Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, em Niterói. Terça, às 19h. Preço: R$ 14 (inteira). Classificação: livre. Telefone: 3674-7515.

Fonte: http://www.ofluminense.com.br

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